O Desafio da Mizuno UPHILL

O Desafio da Mizuno UPHILL

Qual a sensação de subir a Serra do Rio do Rastro? Terei forças para conseguir? Que emoções me aguardam no pórtico de chegada? Essas dúvidas pairaram minha cabeça desde 2016, quando me inscrevi e fui sorteado a participar. Seria mesmo um prêmio ter sido selecionado para o Desafio Ninja, como é conhecida a prova?

Percorrer os 42K da prova é uma tarefa árdua. A largada ocorre a 154m de altitude do nível do mar e cruzamos a linha de chegada a 1420m, sendo a maior parte dessa elevação a partir dos 30K,quando chegamos na Serra e estamos a 500m de altitude. Para deixar a competição ainda mais dura, existem dois tempos de corte: passar os 24K com 3h de prova e fechar os 42K em 6h. Não tem chororô, a organização é muita rígida: 1s a mais do tempo nos 24K e você termina o restante no ônibus da organização. Caso termine a prova em 6h00m01s, você ganha a medalha de participação, porém fica sem a medalha de finisher!

Sabendo desses dados, me dediquei por completo aos treinos. Os 4 meses que antecederam a prova foram de treinos extremamente específicos e pesados, e cumpri a risca o planejado.

Assim, cheguei no dia da prova com um mix de sentimentos: confiança, medo, respeito, admiração. Queria fechar a prova em 5h, meta um tanto ousada, por ser minha primeira participação. Conversei com meu treinador e definimos que correria num ritmo moderado até os 24K, ganhando tempo para a pedreira que viria no final, mas sem cometer abusos. Larguei dentro do combinado e fechei essa primeira perna em 2h10m, com grande folga do corte. Me enchi de confiança: “Estou na prova, e dentro da meta!”

O pior estava por vir, não podia me empolgar, e passado mais 6K cheguei a Serra. O desafio de subi-la mina suas forças, tentando desestabilizar sua mente e quebrar seu corpo. Por mais que treinou, parece não ser suficiente: a Serra vai te cobrar, você vai sofrer e vai doer. Quilometro a quilometro, só fica mais difícil, você sobe um, o outro é mais duro, e assim sucessivamente. Impressionante! Todo momento vem o medo de dor muscular e câimbras, seus músculos puxam e repuxam. Você joga o jogo: diminui a passada aqui, aumenta ali, aperta o ritmo, caminha um pouco… Analisa a situação o tempo todo e cria estratégias para ajudar – ando um poste, corro dois, ando nesta curva, corro na próxima.

A ajuda mútua entre os corredores faz a diferença. Na Serra, somos todos por um! Sempre que possível, encostava num parceiro e corríamos juntos. Cada metro avançado era uma vitória, para todos. Esquece pace, segundos ou colocações, lá a meta é subir e apenas subir! Outra parte muito bacana é o apoio das 3 cidades por qual passa a prova. Energia única vem da população, lutando com você, apoiando e te empurrando pra cima! Já fiz várias provas, de maratonas de rua a de montanhas, e nunca vivenciei nada igual!

Assim subi, subi mais, mais um pouco… e venci a Serra. Cruzei o pórtico em 4h33min e chorei de emoção! Muito melhor do que podia sonhar!

É preciso ter coragem, garra e muita determinação para encarar a prova. Você precisará 100% do seu corpo e mais 100% da sua mente. Na Serra do Rio do Rastro aprendi a fazer meu medo ter medo de mim! Enfrenta-la com suas paredes e curvas intermináveis foi uma experiência que ficará marcada pelo resto de minha vida.

Jean “Psico Run NINJA”

PS: Respondendo a pergunta lá do início, não tenho dúvida que foi um prêmio ser sorteado e ter a oportunidade de vivenciar tudo isso.

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