Meus primeiros 42.195m

Meus primeiros 42.195m

Minha relação com a corrida começou em Maio de 2015, quando minha esposa me convidou para acompanhá-la em um treino. Meses antes, fui diagnosticado com Síndrome Metabólica, pesava 115 quilos (obesidade grau 2), pressão alta, problemas no fígado e minha glicemia preocupava. Eu era uma bomba relógio, precisava mudar de vida.

Após 3 meses, nos inscrevemos numa prova de 6K em nossa cidade. Ajustamos a musculação, dieta e treinamos corrida para o grande dia. Assim em 16 de agosto de 2015 cruzei meu primeiro pórtico e recebi minha primeira medalha. O mix de sensações naquele momento foi incrível e como dizemos em Minas, “O Bichinho da corrida me picou, não tem mais volta”. Desde então os treinos e provas aumentaram, até que no primeiro dia de 2017 me propus um desafio maior: correr a Maratona de Buenos Aires.

Optei por Buenos Aires pois o clima, altimetria e temperatura favorecem uma estreia. Também tenho muito carinho pela cidade, havia visitado-a pouco antes do disgnóstico de saúde e me apaixonado pela cultura portenha. Reviver esta viagem com outro propósito tornaria minha estreia muito mais emocionante.

Inscrição feita, eu precisava de um bom planejamentos de treinos, afinal 42K é uma pedreira. Cheguei até a Masella através de um amigo e começamos a preparação. Orientações assertivas e planilhas que se adaptavam à minha rotina e condição física foram o ponto chave do treinamento.

Nem tudo é um mar de rosas e no mês de Abril tive uma contusão, seguido de um atropelamento. Bastou para que meu psicológico abalasse, fazendo pensar que não conseguiria continuar a periodização. Foquei na recuperação e 40 dias depois voltei, mais forte, mais experiente e mais determinado.

Correr é muito diferente de treinar corrida, é preciso ter muita dedicação, responsabilidade e abrir mão de um monte de coisas para cumprir o planejado. Foram treinos no frio, na chuva, com sol, no calor, na esteira, treinos longos, treinos intensos, treinos curtos, rodagens, treinos de musculação, estratégia de hidratação, suplementação e vestuário… tudo para testar e simular o que seria feito no dia, para nada dar errado.

Chegado o dia da viagem, a ansiedade + TPM (Tensão Pré Maratona) veio e eu tentei aproveitar tudo isso ao máximo, afinal amigos maratonistas haviam me alertado que fazia parte do processo. Estratégia de prova definida, era hora de descansar. Às 04:45 do dia 15 de outubro de 2017, o despertador me acordou. Chegou o grande dia, agora era eu comigo. Estava pronto para viver uma experiência incrível e só me restava curtir cada segundo daquele momento mágico que tanto esperei.

Me posicionei para largar e apenas agradecia por estar naquele lugar. Olhava o pórtico e dizia: “Pode vir maratona, estou aqui, eu consegui”. Foram 42.195 motivos para comemorar e celebrar. Corri conforme o planejado e cruzei aquele pórtico novamente com 03:42:08, terminei a prova muito bem comigo mesmo e com um turbilhão de sentimentos bons. Não teve “muro” e nenhum “urso subiu em minhas costas”, estava muito bem preparado e focado. Corrida não é loucura, nem sofrimento. É autoconhecimento e nesse dia eu conheci um Paulo Rafael totalmente diferente daquele que havia visitado o mesmo lugar há 3 anos atrás.

Agradeço especialmente minha amada esposa pelo apoio incondicional, pela paciência e amor. E também aos amigos, a minha família que me incentiva e claro a família Masella, que acolheu tão bem o Mineiro aqui.

Bora que 2018 tem mais!

Deixe uma resposta