Maratona de Berlim

Maratona de Berlim

Na manhã do domingo de 16 de setembro de 2018, mais de 40 mil corredores de diversos países vão às ruas da capital alemã para a 45ª edição da Maratona de Berlim. Junto com as provas de Nova York, Boston, Chicago, Londres e Tóquio, ela forma a World Marathon Majors, um conjunto de importantes maratonas mundial.

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Maratona de Boston – parte II

Berlim seduz corredores do mundo inteiro, entre amadores e profissionais, por ser o lugar perfeito para a quebra de recorde pessoal. Percurso plano, avenidas largas, ótimas condições climáticas e altos prêmios em dinheiro (para os profissionais) formam o cenário ideal para grandes performances. Além disso, a cidade é um charme, com o rico passado histórico e a modernidade podendo ser admirados pelo caminho.

Criada em 1974 por um grupo de atletas de um clube local, em sua primeira edição, a Maratona de Berlim foi disputada por 286 atletas, em um percurso no lado Ocidental. Com a reunificação da Alemanha e a queda do muro de Berlim que a dividia, em 1990, a prova passou por modificação em seu trajeto. Uma delas foi a demarcação da largada e chegada próximo ao ponto mais emblemático da cidade e palco de episódios marcantes da história do país, o Portão de Brandemburgo.

Percurso cheio de cartões postais

Além de rápido, o percurso da Maratona de Berlim é impressionante e passa por vários pontos turísticos da cidade, como a Coluna da Vitória, o Parlamento Alemão, a antiga sede do Senado de Berlim Oriental, a Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche e outros marcos importantes da Alemanha.

Km 11 – Berliner Fernsehturm: é uma torre de radiodifusão de sinal localizada na Alexanderplatz, no centro da cidade de Berlim.
Km 23 – Rathaus Schöneberg: prefeitura da cidade.
Km 30 – Kreuzkirche: uma igreja luterana.
Km 38 – Philharmonie Berlim: a Filarmônica de Berlim é uma orquestra; Potsdamer Platz: centro comercial com prédios altos e modernos onde os viajantes podem encontrar ótimas lojas para fazer compras, restaurantes, bares, cinemas e teatros.
Km 40 – Konzerthaus Berlin: uma sala de concertos.
Km 42 – Pariser Platz: uma praça localizada no centro de Berlim; Brandenburger Tor: um antigo portal da cidade, reconstruído no final do século XVIII como um arco do triunfo neoclássico, e hoje um dos marcos mais conhecidos da Alemanha.

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Mapa do percurso – Maratona de Berlim (https://www.bmw-berlin-marathon.com/en/race-day/course.html)

Os 42 km mais incríveis na vida de um maratonista

Hoje experiente em maratonas, em 2013, o treinador e sócio da Masella Assessoria, Felipe Calixto, correu em Berlim sua terceira maratona e escreveu na época como foi a sua participação.

“Gosto de dizer que maratonas são feitas com treino, mente forte e coração. Não necessariamente nessa ordem, mas todas em conjunto. São estes três itens que me fizeram completar cada maratona. São eles que me fizeram terminar cada treino extenuante, que me deram força para treinar em dias difíceis e que não me deixaram desistir a cada dor sentida no longo caminho até o dia de hoje.

O que posso dizer da Maratona de Berlim? Simplesmente ANIMAL!

A cidade estava organizada para prova desde quinta-feira, os moradores no clima da corrida e, mesmo depois da prova, ficamos felizes por estarmos presente na quebra do WR (World Record, em português, Recorde Mundial), entretanto chateados, pois não foi desta vez que batemos nossos recordes pessoais. O André fez a prova em 03h20m e eu, em 03h29m. Sentimos muito o frio daqui, largamos com 5 graus, mas a nossa felicidade superou toda essa frustração.

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André Masella e Felipe Calixto no final da prova. (Arquivo pessoal)

A largada foi emocionante, todos ali, a espera do start. As ruas lotadas de crianças, adultos, homens e mulheres de todos os países. Tudo passou tão rápido que quando me dei conta já estava entrando no km 18.

No km 21 da maratona, me sentia bem, mas nada garantia que assim continuasse. Minha mente pensava em mil coisas ao mesmo tempo. Segui firme e confiante. Poucos quilômetros depois eu comecei a sentir o frio, muito frio! Diminuí o ritmo e continuei.

No km 28 as coisas pioraram, não conseguia fazer mais força, minhas mãos estavam congeladas. As pessoas na rua gritavam e batucavam. Esta força coletiva me empurrava quilômetro a quilômetro e quando percebi comecei a chorar, isso mesmo, chorei e chorei muito. O que se sente ali, naquele momento, ao lado de outros 45 mil guerreiros e guerreiras que lutam para chegar ao final da prova é inexplicável! Pensava em tudo que aconteceu para eu conseguir chegar ali, não na viagem, não no final da maratona, mas ali, no km 30. Pensei em tudo e todos que nos ajudaram a estar ali. Pensei em todos esses meses de treinamento e em todos os desconhecidos que não sabiam quem eu era, mas me aplaudiam e gritavam em todos os km percorridos.

Por volta do km 35, avistei um posto de hidratação que tinha chá quente, não pensei duas vezes e segui a prova com um copo em cada mão, porém não foi o suficiente para me ‘descongelar’. De repente, aparece a placa que indicava o final (km 40). Entrávamos na mesma avenida tal como tínhamos saído. Dei um grito estridente e desatei a acelerar, mas as pernas não respondiam o que a mente queria. Cruzo a linha de chegada com a bandeira do Brasil nas mãos e encontro alguns brasileiros que também sentiram a dificuldade de uma maratona. Todos se abraçaram e se cumprimentaram com a sensação de dever cumprido.

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Felipe Calixto cruzando a linha de chegada. (Arquivo pessoal)

Este é o espírito da corrida: habituados a sofrer, sabem o que todos os outros sofrem e vivem os objetivos como se fossem também o seu.

Berlin: “run once, run forever.”

É muito emocionante participar e ver a superação de cada corredor durante a prova. Se você quer treinar para chegar a uma maratona nacional ou internacional, vem falar conosco. Faça parte da nossa equipe!

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