Boston 2018 – Um capítulo a parte na minha biografia de corredor.

Boston 2018 – Um capítulo a parte na minha biografia de corredor.

“Falar sobre a 122ª edição da Maratona de Boston vai muito além da qualificação, preparação e até da temida Hearthbreak Hill, quando todas as atenções estão voltadas para a natureza.

É fato que Boston respira esporte, especialmente na última semana, a Maratona.

A admiração e respeito da população para conosco, corredores, são imensuráveis, assim como o zelo diante de tudo que poderíamos encontrar durante a prova. A população estava certa.

Segunda-feira, 13/04, Dia dos Patriotas. O dia amanheceu chuvoso, saí do hotel com os termômetros marcando 1 grau, chovia e ventava de maneira nunca presenciada por mim.

No caminho até o ônibus que me levaria até Hopkinton precisei de algumas paradas para amarrar a proteção dos meus tênis. Ali já percebi que o dia me reservaria grandes emoções. Durante o trajeto notava a apreensão de todos. Nada diferente quando chegamos à vila dos atletas. Todos buscavam se amontoar para o mínimo de aquecimento.

A quantidade de gelo sobre as casas e carros mostrava que, nos últimos dias, havia nevado na região.

Ao partir para largada não sentia meus pés, mas se tratava da Maratona de Boston, e a la “Joel Santana” tentava me comunicar com as pessoas para me distrair. Assim fui até a execução do hino americano.

Por méritos, estava no primeiro pelotão, não precisei de mais que dois minutos para largar, ficar ali por mais tempo talvez me fizesse abortar a missão. Começava então minha jornada. Parti sentido Boston com uma corrida forte, ritmo cravado. Já na primeira parcial os pés voltavam a dar sinal de vida. Assim fui até o trigésimo Km, onde perdi completamente o aquecimento das mãos, minhas luvas ficaram completamente encharcadas e precisei jogá-las fora. A situação era crítica, só percebi a Hearthbreak Hill após visualizar, meio à neblina, uma saudação por conseguir vencer o ponto mais crítico da prova e neste momento passei a não sentir mais os pés.

Um capítulo à parte da minha biografia no estilo perna, cabeça e coração2
Arquivo pessoal

A vontade de chegar era tão grande que, ter feito mais de 2/3 da prova forte me tranquilizou para escolher uma estratégia até o fim. A escolha foi intercalar entre caminhada e corrida. Enquanto caminhava agradecia cada cidadão que não nos abandonou diante de todas adversidades encontradas, pancadas de chuva, ventos de até 40 Km/h, flocos de neve e sensação de -6 graus, conforme avisou uma TV local.

Próximo a Boston ganhei luvas, manta térmica e copos de café que associados ao calor humano me levaram até ao cruzamento das ruas Hereford e Boylston, o ponto mais emocionante da prova, onde era possível avistar a linha de chegada.

Que chegada! Nunca tinha presenciado nada semelhante. De quebra consegui ver minha esposa, vibrando com mais uma das minhas conquistas, a sétima e mais especial, mesmo 20 minutos acima do meu melhor.

Saio de Boston muito mais forte para a vida. Foram os seis meses mais intensos da minha vida esportiva e se me perguntarem, sim, eu sou capaz de fazer tudo novamente para viver um sonho.

Um capítulo à parte da minha biografia no estilo perna, cabeça e coração
Arquivo pessoal

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A 122ª edição da Maratona de Boston é um capítulo à parte da minha biografia no melhor estilo perna, cabeça e coração.”

José Augusto Cobra

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