A Maratona de Berlim

A Maratona de Berlim

Ao desembarcar em Berlim já é possível perceber a dimensão da prova: em plena quinta-feira, as ruas e avenidas estão fechadas e milhares de pessoas trabalhando, identificadas com BMW Berlin Marathon. Da estação de trem à Expo da Maratona (achei básica em relação ao conteúdo), além de uma gama enorme de corredores, vemos também a famosa “Blue Line” com 3 listras, uma alusão a patrocinadora. Ao ver a linha, a imaginação voa e nos leva ao domingo, correndo sobre ela!

A cidade está invadida por corredores, nos relacionamos com pessoas de diferentes nacionalidades, com diferentes perfis e níveis de condicionamento… Todos em busca do mesmo objetivo! Na rodagem antes do dia D, ao colocar os pés na rua, facilmente você arruma um parceiro de treino, para o último trote e troca de experiências. A energia gerada por essa invasão de corredores é algo ímpar, uma das sensações mais indescritíveis ao correr uma prova dessa magnitude.

No sábado as ruas da cidade fecham para uma maratona sobre rodas, de patins. Além dela, rola também uma corrida com crianças e adolescentes. São diversas atividades acontecendo, agregando ao evento e tudo isso só faz aumentar nossa expectativa!

Chega o grande dia. Domingo, nove horas da manhã e estamos prontos para a largada. Nós e mais 45.000 corredores… Isso mesmo, são 45.000 corredores posicionados para correr os 42.195 metros pela cidade e conquistar a famosa medalha. A chuva e a alta umidade não ofuscaram o brilho da Maratona, que é palco do atual recorde mundial (Dennis Kimetto, 2h02m57s, em 2014) e tem em sua história 10 quebras de recordes. Este ano a disputa era entre Kipchoge, Kipsang e Bekele e desde cedo uma multidão de pessoas está nas ruas, ansiosa para ver se o tempo de Kimetto seria batido – o que não aconteceu. Ponto fantástico é que toda essa população prestigia, saúda e incentiva todos os corredores, independente do quão você corre. Eles não apoiam apenas os profissionais, estão lá prestigiando todo o evento e todos seus participantes. Crianças com as mãos estendidas nos tratando como heróis e adultos agradecendo por estarmos ali, assim fomos dominando Berlim. A cada quilometro uma celebração diferente, de roda de capoeira a bandas de rock. A emoção só aumenta e impossível mesmo é controlá-la quando, ao fazermos uma ligeira curva à esquerda, nos deparamos com o Portão de Brandemburgo. Restam aproximados 400mts para a chegada e uma multidão de todos os lados transmite uma vibração alucinante, como se estivessem correndo conosco, até cruzarmos o pórtico.

Correr em Berlim é realmente mágico e uma celebração na vida de cada Maratonista.  Se puder, venha. Garanto que não irá se arrepender!

Texto escrito por nosso aluno Zé Cobra.

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